Brasil Atinge Pico Histórico em Contribuições para a Previdência Social, Indicando Fortalecimento do Mercado Formal
O Brasil registrou um marco significativo no mercado de trabalho. No trimestre encerrado em fevereiro, o país alcançou a impressionante marca de 66,8% da população ocupada contribuindo para algum regime previdenciário. Isso representa um total de 68,196 milhões de trabalhadores sob a proteção da Previdência Social, o maior percentual desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012.
Esses números, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidenciam uma tendência positiva na adesão aos sistemas de proteção social. Ao contribuir, os trabalhadores garantem direitos essenciais como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte, pilares fundamentais para a segurança financeira ao longo da vida.
Apesar de o número absoluto de contribuintes ter sido ligeiramente maior no final de 2025 (68,496 milhões), o percentual recorde de 66,8% no trimestre encerrado em fevereiro é um indicador crucial do aumento da cobertura previdenciária em relação à força de trabalho total. Conforme informação divulgada pelo IBGE, esses dados foram coletados com pessoas a partir de 14 anos de idade.
O Papel Crucial do Emprego Formal no Recorde da Previdência
Um dos fatores determinantes para esse recorde é o fortalecimento do mercado de trabalho formal. O número de contribuintes (68,196 milhões) superou o total de trabalhadores considerados formais (63,8 milhões). O IBGE explica que mesmo trabalhadores informais autônomos, sem CNPJ, podem ser contados como contribuintes individuais do INSS.
O economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, atribui esse crescimento à maior geração de empregos formais. “A gente tem cada vez mais pessoas trabalhando, especialmente no emprego formal. Com o emprego formal sendo mais forte, tendo uma recuperação mais intensa que os empregos informais, isso faz com que a contribuição da previdência suba também”, explicou.
Empregados com Carteira Assinada em Alta e Rendimento Recorde
No trimestre analisado, o número de empregados no setor privado com carteira assinada atingiu 39,2 milhões, mantendo-se estável em comparação com períodos anteriores. Tobler classifica esse resultado como “muito positivo”, pois “vagas formais são mais associadas a empregos de produtividade mais alta, de remuneração mais alta também e, principalmente, a essa questão da previdência”.
Além disso, a Pnad Contínua revelou que o rendimento mensal do trabalhador alcançou um recorde, chegando a R$ 3.679. Este valor, que já desconta a inflação, representa um aumento de 2% em relação ao trimestre anterior e 5,2% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Perspectivas Futuras e a Importância da Previdência na Sociedade
O economista destaca a relevância da previdência em um cenário de envelhecimento populacional. “A nossa população está entrando no processo de envelhecimento, e essa questão da previdência sempre vai ser um ponto sensível. Então, quanto mais gente no emprego formal, quanto mais gente contribuindo, menor pode ser esse problema da previdência no médio e longo prazo”, analisa.
A tendência, segundo Tobler, é de manutenção ou aumento do percentual de trabalhadores contribuintes, “especialmente se a economia continuar crescendo”. Historicamente, o Brasil sempre manteve a taxa de trabalhadores contribuintes acima de 60%, com o menor índice registrado em 2012, de 61,9%.
Fonte: IBGE
