Unesco alerta: 273 milhões de crianças estão fora da escola mundialmente, um recorde preocupante

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgado nesta quarta-feira (25) lança um alerta severo sobre a situação da educação no mundo. O documento aponta que 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estão excluídos do ambiente escolar, um número que representa uma em cada seis pessoas nessa faixa etária globalmente.

Este cenário representa uma reversão de tendências positivas observadas anteriormente. Após uma queda significativa entre 2000 e 2015, o número de crianças fora da escola vem aumentando pelo sétimo ano consecutivo, registrando uma alta de 3% desde 2015. A Unesco atribui essa escalada a fatores como o crescimento populacional, crises humanitárias e a redução de orçamentos destinados à educação.

O relatório, intitulado “Relatório de Monitoramento Global da Educação (Relatório GEM) 2026”, é o primeiro de uma série chamada “Contagem Regressiva para 2030”, que visa avaliar o progresso educacional global em diversas frentes. A publicação completa, com dados e análises detalhadas, está disponível para consulta, oferecendo um panorama completo dos desafios enfrentados para garantir o acesso universal à educação de qualidade.

O Aumento Alarmante de Jovens Fora da Escola

A análise da Unesco revela que o número de crianças e jovens sem acesso à educação atingiu a marca de 273 milhões em 2024. Este dado é ainda mais preocupante quando se considera que a população jovem em áreas afetadas por conflitos pode ser subestimada em pelo menos 13 milhões, segundo estimativas que incluem informações de fontes humanitárias para preencher lacunas de dados nos dez países mais impactados por guerras.

O relatório também destaca que apenas dois terços dos jovens em todo o mundo conseguem concluir o ensino secundário. A desaceleração no progresso da permanência escolar é particularmente acentuada na África Subsaariana, em grande parte devido ao crescimento populacional acelerado. Crises diversas, incluindo conflitos armados, também têm comprometido significativamente os avanços na região.

Avanços e Desafios na Matrícula e Permanência Escolar

Apesar do cenário preocupante, o relatório da Unesco também aponta para progressos notáveis em outras áreas. Desde o ano 2000, o número de estudantes matriculados no ensino primário e secundário aumentou em 327 milhões, chegando a 1,4 bilhão em 2024. Houve também um crescimento expressivo nas matrículas em níveis pré-escolar e superior, com aumentos de 45% e 161%, respectivamente.

Exemplos de sucesso incluem a Etiópia, que viu sua taxa de matrícula no ensino primário saltar de 18% em 1974 para 84% em 2024. A China também demonstrou uma expansão sem precedentes no acesso ao ensino superior, passando de 7% em 1999 para mais de 60% em 2024. Esses dados mostram que, com políticas eficazes, é possível expandir o acesso à educação.

Educação Pré-Primária e o Desafio da Qualidade

A análise da Unesco sobre a educação pré-primária revela uma discrepância entre os dados globais e a realidade. Embora o indicador global aponte que 75% das crianças de 5 anos têm acesso à educação, os dados mostram que apenas 60% dos alunos do ensino fundamental tiveram pelo menos um ano de educação pré-primária. Isso pode indicar um sucesso aparente na inclusão, mas com crianças pulando etapas importantes de aprendizado.

A permanência na escola, um indicador crucial para a conclusão dos estudos, tem desacelerado em quase todas as regiões desde 2015. A África Subsaariana e o Oriente Médio, especialmente após recentes conflitos, são as regiões mais afetadas por essa estagnação, com milhões de crianças em risco de atraso educacional significativo.

Conclusão do Ensino e o Longo Caminho para a Universalização

O relatório da Unesco celebra o aumento nas taxas de conclusão escolar. Desde 2000, a taxa de conclusão do ensino primário subiu de 77% para 88%, do ensino fundamental de 60% para 78%, e do ensino médio de 37% para 61%. No entanto, o ritmo atual sugere que a meta de 95% de conclusão do ensino médio só será alcançada em 2105, evidenciando a urgência de ações mais efetivas.

A meta central do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da Agenda 2030 é garantir que todas as crianças concluam o ensino primário e secundário gratuito, equitativo e de qualidade até 2030. Apesar de muitos países terem estabelecido metas nacionais, o progresso atual indica um desafio considerável para atingir este objetivo global.

Equidade e Financiamento: Pilares para o Futuro da Educação

A Unesco também ressalta a importância da equidade e do financiamento para a educação. As disparidades de gênero na educação primária e secundária foram reduzidas na média global, com exemplos notáveis de países como o Nepal, onde meninas alcançaram e, em algumas regiões, superaram os meninos. A inclusão de crianças com deficiência e a expansão da educação inclusiva também mostram avanços legais e conceituais.

Em relação ao financiamento, o relatório aponta para o aumento do uso de mecanismos para beneficiar populações desfavorecidas, como transferências para governos subnacionais, escolas e alunos. Programas de merenda escolar dobraram de tamanho. No ensino superior, muitos países oferecem subsídios para alojamento, transporte e livros didáticos, além de não cobrarem mensalidades em universidades públicas.

Recomendações da Unesco para Acelerar o Progresso

Diante do cenário e com a meta de 2030 se aproximando, a Unesco recomenda que os processos de definição de metas educacionais sejam mais firmemente incorporados ao planejamento e orçamento nacionais. É crucial utilizar dados de forma mais eficiente para monitorar a participação e a equidade na educação, aprimorando a produção de estatísticas precisas.

A organização enfatiza a necessidade de monitorar não apenas os resultados e impactos das políticas educacionais, mas também os próprios processos de implementação. A Unesco também sugere que intercâmbios entre países podem gerar ideias valiosas, mas alerta que experiências estrangeiras devem ser adaptadas à realidade local. A formulação de políticas educacionais deve sempre pautar-se pela equidade, com avaliações constantes dos resultados alcançados.

Fonte: Unesco

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Diretor de Estratégia de Conteúdo e responsável pela Redação CEF no portal Catanduvas em Foco. Com uma forte presença digital e mais de 5 mil seguidores em suas redes sociais, Lesk lidera a curadoria de notícias e tendências do grupo Estúdio Mídia Publicidades LTDA. Sob sua coordenação, a redação já produziu mais de 4 mil publicações focadas em agilidade e utilidade pública, alcançando a marca histórica de 10 milhões de acessos no portal.