A cena é comum no verão brasileiro: após um dia excessivo de sol, a pele vermelha e ardendo motiva a busca por soluções caseiras. Entre elas, a babosa (Aloe vera) reina como a favorita. No entanto, o que muitos ignoram é que o uso direto da folha recém-cortada pode ser um erro perigoso.

Especialistas alertam que a planta possui uma substância chamada aloína, um látex amarelado presente logo abaixo da casca. Segundo o Ministério da Saúde, embora a babosa tenha efeitos anti-inflamatórios comprovados, o contato direto da aloína com uma pele já sensibilizada pelo sol pode causar coceira intensa, vermelhidão extra e até reações alérgicas.

O perigo oculto na seiva amarela

A aloína é o mecanismo de defesa da planta, mas para o ser humano, ela atua como um irritante potente. Quando você corta a folha e a aplica imediatamente sobre a queimadura, está depositando esse composto tóxico sobre feridas microscópicas causadas pela radiação UV.

Para o uso seguro, o protocolo de higienização é rigoroso. É necessário deixar a folha em pé em um recipiente por pelo menos 30 minutos para que essa seiva amarela escorra completamente. Somente após esse processo, e uma nova lavagem em água corrente, o gel transparente interno deve ser extraído.

Recomendação médica e segurança

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforça que, embora ativos naturais sejam úteis, o uso da planta in natura exige cautela. A indústria farmacêutica isola os princípios ativos benéficos, como os polissacarídeos, eliminando as impurezas que causam alergias.

É fundamental realizar um teste de contato em uma pequena área saudável do corpo antes de espalhar o gel pela área queimada. Se houver qualquer sinal de ardência incomum ou formação de bolhas, a aplicação deve ser interrompida imediatamente.

Quando a babosa não é suficiente

É preciso separar o alívio caseiro da emergência médica. Em casos de queimaduras de segundo grau, caracterizadas por bolhas, dor insuportável ou sintomas como febre e calafrios, a babosa não deve ser utilizada.

Nessas situações, a orientação de órgãos como a Anvisa e a própria SBD é buscar atendimento especializado. O uso de remédios caseiros em lesões graves pode mascarar infecções ou retardar a cicatrização correta dos tecidos.

O segredo do uso da babosa está na paciência do preparo. Tratar a planta com o rigor de um medicamento é a única forma de garantir que o alívio não se transforme em um novo problema dermatológico. A saúde da sua pele não aceita atalhos.

Compartilhar.

Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.