A ilha de Ynys Gifftan, localizada no coração do Parque Nacional de Eryri, no País de Gales, tornou-se o centro das atenções do mercado imobiliário europeu em 2026. O motivo é o preço de venda, que se equipara ao de uma casa de alto padrão no Reino Unido.

Mas o que parece ser o negócio dos sonhos para quem busca isolamento pode se transformar em um pesadelo logístico. Com cerca de 7,2 hectares, a propriedade está desabitada há décadas e exige um investimento que vai muito além do valor da escritura.

O desafio das marés e o acesso limitado

O grande diferencial de Ynys Gifftan é o seu acesso híbrido. Segundo informações do anúncio de venda, em momentos de maré baixa, é possível chegar ao local caminhando por bancos de areia. Já na maré alta, a travessia exige barcos.

Embora pareça romântico, esse cenário impõe um planejamento rigoroso. Qualquer obra de infraestrutura dependerá do humor do oceano. Transportar materiais de construção ou equipes de manutenção torna-se uma operação de guerra, encarecendo qualquer projeto de reforma nas ruínas existentes.

Ruínas e restrições ambientais severas

As únicas edificações na ilha são uma casa de fazenda de pedra e um anexo, ambos abandonados desde a década de 1970. O comprador não encontrará apenas paredes desgastadas, mas estruturas que precisam de recuperação total e instalação de sistemas modernos de energia e saneamento.

E é aqui que a burocracia entra em cena. Por estar dentro de um parque nacional, qualquer intervenção está sujeita às normas rígidas de conservação ambiental. O Parque Nacional de Eryri impõe limites severos para ampliações e tipos de uso, o que pode frustrar investidores que planejam grandes empreendimentos turísticos.

O custo real da exclusividade

Especialistas do setor imobiliário britânico alertam que o preço de aquisição é apenas a ponta do iceberg. O valor competitivo serve para atrair interessados, mas os custos operacionais de manter uma ilha privada são proibitivos para a maioria das pessoas.

Além da logística de transporte, o proprietário terá que lidar com a gestão do solo e a limpeza da vegetação densa que tomou conta da área. Sem um plano de manejo aprovado pelas autoridades galesas, a ilha corre o risco de permanecer como um ativo inutilizável e caro.

Vale o investimento ou é cilada

A ilha ocupa um lugar intermediário entre o luxo e a rusticidade extrema. Para quem busca um refúgio privado e tem capital para queimar, é uma oportunidade rara. Mas para quem vê como um investimento imobiliário tradicional, os riscos são altos.

A dependência das marés e as restrições de construção fazem de Ynys Gifftan um troféu para poucos, e não uma residência prática. O mercado de ilhas privadas é fascinante, mas exige pés no chão ou, neste caso, olhos atentos ao nível do mar.

No fim das contas, comprar uma ilha pelo preço de uma casa comum parece vantajoso apenas no papel. Na prática, o novo dono estará adquirindo um compromisso vitalício com a natureza e com a burocracia governamental britânica.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.