O hábito de tomar um chá antes de deitar deixou de ser apenas uma tradição de avó para se tornar uma estratégia de saúde pública moderna. Em um cenário de hiperestimulação por telas, o chá de melissa surge como protagonista para quem busca desacelerar sem recorrer a medicamentos pesados.

A planta, cientificamente chamada de Melissa officinalis, tem atraído a atenção de pesquisadores e consumidores. O fenômeno não é por acaso, já que a dificuldade de “desligar” o cérebro à noite se tornou uma queixa comum nos consultórios médicos brasileiros.

O que a ciência diz sobre a Melissa officinalis

Estudos realizados pela Universidade de Maryland e outras instituições de pesquisa fitoterápica indicam que a melissa possui compostos bioativos, como o ácido rosmarínico. Essas substâncias interagem com os receptores GABA no cérebro, responsáveis por promover a sensação de calma.

Mas é preciso cautela com as expectativas. Diferente de um sedativo sintético, a melissa não causa um “apagão” imediato. O efeito é gradual e sutil, funcionando mais como um modulador do sistema nervoso do que como um indutor de sono potente.

Segundo especialistas em higiene do sono, a eficácia da planta aumenta quando ela é inserida em uma rotina de descompressão. Isso significa que o chá funciona melhor se você também apagar as luzes fortes e deixar o celular de lado.

A importância do ritual de desaceleração

O ponto central aqui não é apenas a química da planta, mas o ritual envolvido no preparo. Ao separar dez minutos para preparar a bebida, o indivíduo envia um sinal claro ao cérebro de que a jornada de trabalho e estímulos terminou.

Essa transição é fundamental para combater a ansiedade noturna. O gesto repetitivo de segurar uma xícara quente e sentir o aroma cítrico da erva-cidreira verdadeira ajuda a baixar a frequência cardíaca e a pressão arterial de forma natural.

E é aí que está o segredo: a melissa oferece uma “ponte” entre o estado de alerta e o repouso. Para muitos, essa pausa é o componente que faltava para que o corpo consiga iniciar o processo biológico do sono sem interrupções.

Diferenciação técnica e cuidados necessários

Um erro comum entre os consumidores é confundir a Melissa com o Capim-santo ou a Erva-cidreira brasileira (Lippia alba). Embora todos tenham propriedades relaxantes, a Melissa officinalis é a que possui mais estudos voltados para a redução da agitação cognitiva.

A Dra. Angela Xavier, especialista em saúde natural, reforça que a identificação correta da planta é essencial para obter os benefícios terapêuticos. O uso de folhas frescas ou secas de procedência garantida evita a ingestão de impurezas que podem causar alergias.

Mesmo sendo um produto natural, o consumo exige atenção. A Anvisa recomenda que gestantes, lactantes e pessoas que já utilizam sedativos ou medicamentos para tireoide consultem um médico antes de adotar o hábito diário.

Como implementar o hábito sem pressão

Para que o chá não vire mais uma obrigação na lista de tarefas, a estratégia deve ser a simplicidade. O ideal é consumir a bebida cerca de 30 a 60 minutos antes de ir para a cama, criando um ambiente de baixa luminosidade.

Não adianta tomar o chá e continuar respondendo mensagens de trabalho ou assistindo a vídeos agitados. O sucesso da melissa depende da sinergia com o ambiente. Quando o corpo entende o sinal, o relaxamento flui com mais facilidade.

No fim das contas, a volta da melissa ao cotidiano reflete uma busca por equilíbrio. Em um mundo que não para, aprender a parar com a ajuda da natureza é, acima de tudo, um ato de inteligência e autocuidado.

Compartilhar.

Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.