O orçamento doméstico brasileiro enfrenta um desafio invisível que vai além da inflação dos alimentos. Dados de levantamentos econômicos e sociais revelam que criar uma filha custa mais caro do que criar um filho. Essa disparidade não tem relação com necessidades biológicas básicas, mas é alimentada por uma estrutura de consumo cultural e expectativas sociais que começam logo no nascimento.

Estudos realizados por consultorias de finanças pessoais indicam que a diferença aparece em itens como vestuário, higiene e educação. Em alguns cenários globais, o gasto acumulado com mulheres pode ser até o dobro do valor investido em homens ao longo da vida.

O peso do mercado de consumo e a taxa rosa

A indústria da moda e de cuidados pessoais exerce uma pressão desproporcional sobre o público feminino desde cedo. Enquanto o guarda-roupa masculino costuma ser funcional, o feminino é cercado de acessórios e tendências sazonais. Especialistas em economia doméstica apontam que essa diferença é fruto do chamado Pink Tax.

Trata-se do sobrepreço aplicado a produtos destinados ao público feminino, mesmo quando a função é idêntica à versão masculina. Um estudo da ESPM demonstrou que itens voltados para mulheres no Brasil chegam a ser 12% mais caros. Quando esse cálculo é transportado para a infância, o impacto no orçamento familiar a longo prazo é expressivo.

Educação e atividades extras ampliam o abismo financeiro

O investimento em atividades extracurriculares também costuma ser mais intenso para as meninas, envolvendo dança, artes e cursos de especialização precoce. A sociedade exige que a mulher esteja sempre mais preparada para o mercado de trabalho, o que faz com que pais invistam mais em idiomas e formação complementar.

Essa busca pela excelência gera um ciclo de gastos muitas vezes imperceptível. É uma tentativa inconsciente de compensar as barreiras que as filhas enfrentarão na vida adulta e na carreira profissional. O marketing segmentado consegue convencer as famílias de que as meninas precisam de muito mais para serem aceitas socialmente.

Planejamento e consumo consciente no orçamento familiar

Entender que criar uma filha demanda mais recursos permite que as famílias se organizem melhor financeiramente. No entanto, o cenário também abre espaço para uma discussão necessária sobre como o comércio explora o gênero para lucrar mais.

O equilíbrio virá quando o consumo for pautado pela utilidade e não por estereótipos de gênero. Até lá, quem tem filhas precisará de uma estratégia financeira muito mais robusta para manter as contas no azul e questionar se o gasto extra é uma necessidade real ou apenas uma imposição de um padrão caro.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.