O uso da Aloe vera, popularmente conhecida como babosa, atravessa gerações como um remédio caseiro para quase tudo. Mas o que parece um hábito inofensivo de quintal esconde riscos reais.

A planta carrega uma substância chamada aloína, um látex amarelado e tóxico que fica entre a casca e o gel transparente. Se entrar em contato direto com o rosto, pode causar dermatite de contato e irritações severas.

Por isso, o manejo da planta não pode ser feito de qualquer jeito. Especialistas em dermatologia alertam que a automedicação natural, sem o devido preparo, transforma um benefício em um problema de saúde pública.

O perigo oculto na seiva amarela

A aloína é a grande vilã do uso doméstico. Segundo orientações técnicas de farmacêuticos e biólogos, essa substância serve como defesa da planta contra predadores, sendo altamente irritante para tecidos humanos.

Para usar o gel com segurança, é necessário realizar um processo chamado sangria. O método consiste em cortar a base da folha e deixá-la em pé por pelo menos 30 minutos para o líquido amarelo escorrer.

Ignorar essa etapa é o erro mais comum. Muitas pessoas aplicam a folha recém-cortada na pele, o que gera ardência imediata. Em peles sensíveis, o dano pode ser persistente e exigir tratamento médico.

Como extrair o gel com segurança

Primeiro, a folha deve ser lavada com água e sabão para remover impurezas do solo.

Após a sangria da aloína, as bordas espinhosas devem ser removidas com uma faca esterilizada. O objetivo é isolar apenas o parênquima clorofiliano, que é o gel límpido e sem cheiro forte.

É importante notar que o gel extraído em casa não possui conservantes. Por isso, ele oxida rápido. Se a mistura mudar de cor ou apresentar um odor azedo, deve ser descartada imediatamente para evitar infecções bacterianas.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), frequentemente pontua que, embora a babosa tenha propriedades cicatrizantes e hidratantes, ela não substitui medicamentos para queimaduras graves ou feridas abertas.

O uso deve ser restrito a hidratações leves ou pós-sol em áreas sem bolhas. O grande problema é que o produto caseiro não tem a concentração controlada que encontramos em farmácias, o que torna o resultado imprevisível.

Além disso, a Anvisa proíbe a comercialização de sucos ou alimentos à base de babosa para ingestão. O uso é estritamente externo. Beber o gel caseiro pode causar cólicas severas e danos aos rins.

Teste de alergia é indispensável

Antes de espalhar o gel pelo corpo, o jornalismo de utilidade pública recomenda o teste de contato. Aplique uma pequena quantidade no antebraço e aguarde 24 horas.

Se houver qualquer sinal de vermelhidão ou coceira, suspenda o uso. Nem tudo que vem da natureza é seguro para todos os organismos, e a individualidade biológica deve ser respeitada.

No fim das contas, a babosa é sim uma aliada poderosa da estética e da saúde da pele. Mas, para que ela funcione, o rigor no preparo deve ser maior do que o entusiasmo pela receita caseira.

A ciência mostra que o segredo não está apenas na planta, mas na limpeza absoluta do que chega aos nossos poros. Sem técnica, o remédio vira veneno.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.