O que parece um comportamento inofensivo no jardim pode, na verdade, ser um pedido de socorro silencioso. Muitos tutores acreditam que cães comem grama apenas para ‘limpar o estômago’, mas a ciência veterinária alerta para riscos ocultos.
Especialistas da Universidade de Cornell e estudos publicados na plataforma ScienceDirect indicam que a ingestão compulsiva de vegetação está ligada a distúrbios gastrointestinais. Quando o ato se torna frequente, o animal pode estar tentando aliviar uma irritação gástrica severa.
A prática deixa de ser curiosidade e vira notícia urgente quando acompanhada de sintomas específicos. O jornalismo de utilidade pública reforça que a observação do dono é a primeira linha de defesa para evitar complicações fatais.
Os sinais de perigo no comportamento canino
Não é apenas o ato de mastigar o mato que preocupa, mas a intensidade. Se o seu cão busca a grama várias vezes ao dia ou em sessões longas, o desconforto abdominal é quase certo.
Segundo protocolos de triagem veterinária, como o Vet-Triage, a ingestão repetida pode mascarar doenças como a gastrite crônica ou até a presença de parasitas. O animal tenta induzir o vômito para aliviar a náusea persistente.
Mas o perigo aumenta se houver letargia ou prostração. Um cão que come grama e depois se isola ou recusa ração por mais de 24 horas está enfrentando uma inflamação aguda que exige médico.
Riscos de obstrução e intoxicação
Outro ponto crítico é a qualidade do que o animal ingere. Gramas tratadas com fertilizantes ou herbicidas são veneno puro. A sialorreia (salivação excessiva) após o consumo é um sinal clássico de intoxicação química.
Além disso, o excesso de fibras vegetais pode causar obstruções no trato gastrointestinal. Em raças de grande porte, a tentativa frenética de vomitar grama pode evoluir para a temida torção gástrica, uma emergência de vida ou morte.
É preciso monitorar as fezes. A presença de sangue oculto ou muco após o consumo de vegetação indica que a mucosa do intestino está sofrendo. Nesses casos, o tratamento caseiro é um erro perigoso.
Mudanças de atitude e dor silenciosa
Cães são mestres em esconder a dor. Por isso, qualquer mudança na rotina, como irritabilidade ou inquietação, deve ser somada ao hábito de comer grama na hora da avaliação.
O diagnóstico precoce evita procedimentos invasivos e caros. O papel do tutor não é impedir o cão de ser cão, mas entender quando a biologia dá lugar à patologia.
Em resumo, a grama ocasional pode ser fibra, mas a grama desesperada é doença. Fique atento aos sinais físicos e não ignore a perda de apetite. A saúde do seu pet depende dessa leitura rápida dos fatos.
Ao notar o combo de vômito, diarreia e fraqueza, a recomendação técnica é buscar um hospital veterinário imediatamente. O tempo, nesses casos, é o fator que decide entre a recuperação e o choque hipovolêmico.
