O meio-campista Oscar decidiu encerrar sua trajetória no futebol profissional de forma precoce e surpreendente. O atleta abriu mão de receber cerca de R$ 53 milhões referentes ao restante de seu contrato com o São Paulo, que seria válido até o final de 2027.

A informação, confirmada pelo portal ge.globo, revela que o jogador optou por cobrar apenas o que lhe é de direito até o momento em que se afastou dos gramados. O imbróglio financeiro agora gira em torno de uma dívida de R$ 7 milhões.

Esse montante residual envolve o pagamento de luvas (prêmio pela assinatura) e direitos de imagem que estão em atraso. Inicialmente, o jogador exigia o pagamento à vista, mas aceitou um parcelamento até o fechamento de 2027 para facilitar o acordo.

O estopim da aposentadoria precoce

A decisão de pendurar as chuteiras não foi técnica, mas sim médica. Em novembro do ano passado, Oscar sofreu um mal súbito durante exames de rotina no CT da Barra Funda. O susto foi grande e exigiu internação imediata na UTI.

O diagnóstico médico apontou uma síncope vasovagal. Segundo especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein, onde o atleta foi tratado, essa condição ocorre quando há uma queda súbita na pressão arterial e nos batimentos cardíacos.

A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) explica que a síncope vasovagal é, essencialmente, um desmaio provocado pela perda transitória de consciência. Embora não apresente risco iminente de morte na maioria dos casos, ela exige monitoramento rigoroso.

Para um atleta de alto rendimento, o diagnóstico é um divisor de águas. A exigência física extrema do futebol profissional pode potencializar novos episódios, o que pesou na escolha de Oscar em priorizar sua saúde e bem-estar familiar.

O posicionamento do São Paulo

Do lado do clube, a diretoria trata o caso com cautela e respeito à história do jogador. O diretor executivo Rui Costa mantém conversas frequentes com o empresário Giuliano Bertolucci para selar o distrato de forma amigável.

O São Paulo considera o contrato tecnicamente “suspenso” desde o final de 2025. O clube ainda precisa ajustar o pagamento de comissões aos representantes do atleta, além da dívida direta com o próprio Oscar.

A postura do jogador é vista como um gesto de enorme grandeza no meio esportivo. Ao abrir mão de mais de R$ 50 milhões, ele evita uma batalha judicial desgastante que poderia durar anos nos tribunais desportivos.

Impacto no planejamento esportivo

A saída definitiva de Oscar obriga o Tricolor a rever seu planejamento financeiro e técnico. O alívio na folha salarial é significativo, mas a perda de um talento desse calibre no elenco é inegável.

É raro ver um profissional abrir mão de valores tão expressivos em prol de uma saída pacífica. Isso mostra que o susto no CT mudou as prioridades do meia, colocando a vida acima de qualquer cifra milionária.

O caso serve de alerta para o monitoramento cardíaco constante em clubes de elite. Mesmo com exames frequentes, o corpo humano pode apresentar falhas imprevisíveis que mudam o rumo de carreiras consolidadas no esporte mundial.

Agora, resta ao São Paulo honrar o parcelamento dos R$ 7 milhões restantes. O desfecho parece próximo e deve ocorrer sem maiores traumas para ambas as partes, selando o fim de um ciclo marcado por talento e um susto médico inesperado.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.