O mau cheiro nas axilas, popularmente conhecido como “cecê”, não é apenas uma questão de falta de higiene, mas um processo biológico complexo. O problema, chamado cientificamente de bromidrose axilar, atinge milhares de brasileiros e movimenta o mercado de cosméticos.
Especialistas explicam que o odor surge da interação entre o suor e as bactérias que habitam a nossa pele. O suor em si não tem cheiro, mas quando as bactérias o decompõem, liberam ácidos que causam o incômodo.
A ciência por trás do suor
Segundo o dermatologista Alessandro Alarcão, que presidirá o Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica em 2026, as axilas são áreas críticas. Elas são quentes, úmidas e possuem glândulas chamadas apócrinas.
Essas glândulas produzem um suor rico em proteínas e lipídios, que servem como verdadeiro banquete para os micro-organismos. Por isso, em dias de calor intenso, a proliferação bacteriana dispara e o cheiro se intensifica rapidamente.
O médico ressalta que fatores externos também pesam na balança. O uso de tecidos sintéticos, como o poliéster, impede a ventilação e retém o calor, criando o ambiente perfeito para o mau odor.
O perigo das receitas de internet
Um ponto de alerta máximo para a saúde pública é o uso de receitas caseiras. É comum ver recomendações de limão, bicarbonato de sódio ou vinagre para “matar” o cheiro, mas a prática é perigosa.
O dermatologista Rafael Parisi, do Hospital Brasília, é enfático ao dizer que o termo “natural” não significa que o produto seja seguro. O limão, por exemplo, pode causar queimaduras graves e manchas irreversíveis se exposto ao sol.
O bicarbonato de sódio pode alterar o pH da pele de forma agressiva, gerando dermatites e irritações que abrem portas para infecções secundárias. A orientação médica é clara: nunca use substâncias de cozinha na pele sensível das axilas.
Estratégias que realmente funcionam
Para quem sofre com o problema, a solução passa por ajustes simples na rotina. A higiene deve ser feita com sabonetes suaves de uma a duas vezes ao dia, garantindo que a região esteja totalmente seca antes de se vestir.
Alessandro Alarcão sugere que, em dias muito quentes, trocar de roupa é mais eficaz do que reaplicar desodorante sobre o suor antigo. O acúmulo de produto sobre a pele suja apenas piora a situação química local.
Outra técnica recomendada por Rafael Parisi é o horário de aplicação do antitranspirante. O ideal é usar o produto à noite, antes de dormir, com a pele limpa e seca, para que os sais de alumínio ajam melhor.
Alimentação e estilo de vida
A dieta também desempenha um papel fundamental na composição do suor. Alimentos como alho, cebola, curry e o consumo excessivo de álcool podem alterar o odor corporal de forma perceptível.
Além disso, o estresse e o excesso de peso contribuem para uma maior produção de suor. Em casos onde o cheiro persiste mesmo com higiene rigorosa, pode haver uma infecção local que exige tratamento com antibióticos tópicos.
A análise final é que o autocuidado não deve ser baseado em mitos. Se o constrangimento social é grande, buscar um dermatologista é o único caminho seguro para tratar a bromidrose sem colocar a saúde da pele em risco.
