Manter a mesma escova de dentes por longos períodos é um erro comum que coloca a saúde bucal e o bem-estar geral em risco. O hábito, muitas vezes negligenciado, pode transformar um instrumento de limpeza em um verdadeiro criadouro de micro-organismos nocivos.
A recomendação de substituir o acessório a cada 90 dias não é apenas uma estratégia de marketing das fabricantes. Trata-se de um consenso técnico validado por entidades como a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) e a American Dental Association (ADA).
Especialistas alertam que, após três meses de uso regular, as cerdas sofrem um desgaste mecânico natural. Esse processo faz com que elas percam a flexibilidade e a capacidade de alcançar os vãos entre os dentes e a linha da gengiva.
O perigo invisível das cerdas gastas
Quando as cerdas se abrem e perdem o formato original, a remoção da placa bacteriana cai drasticamente. O resultado direto é o acúmulo de detritos que podem evoluir para tártaro, cáries e doenças periodontais graves.
Mas o problema vai além da eficiência mecânica. Um estudo publicado pela Journal of Advanced Medical and Dental Sciences Research revelou que escovas usadas acumulam colônias de estafilococos e fungos que se proliferam no ambiente úmido do banheiro.
Além disso, o uso prolongado favorece a permanência de restos de alimentos na base das cerdas. Sem uma higienização rigorosa e a troca periódica, o indivíduo acaba reintroduzindo bactérias na boca a cada nova escovação.
Reinfecção e o ciclo das doenças sazonais

Um ponto crucial que muitos ignoram é a troca da escova após episódios de doenças infecciosas. Se você teve gripe, resfriado ou dor de garganta, a orientação médica é o descarte imediato do objeto após a recuperação.
Isso acontece porque os vírus e bactérias causadores dessas patologias podem sobreviver nas cerdas por dias. Manter a mesma escova após estar curado aumenta consideravelmente o risco de uma reinfecção desnecessária, prolongando o sofrimento do paciente.
A Anvisa reforça que a higiene bucal é a primeira barreira de defesa do corpo humano. Uma boca mal cuidada pode ser a porta de entrada para infecções que atingem até o coração, como a endocardite bacteriana.
Como identificar o momento exato da troca
Não espere a escova parecer um “esfregão” para jogá-la fora. O sinal visual mais claro é quando as cerdas começam a apontar para direções diferentes, perdendo o alinhamento vertical necessário para a limpeza profunda.
Algumas marcas modernas possuem cerdas indicadoras que perdem a cor com o tempo. No entanto, o critério do calendário continua sendo o mais seguro para garantir que a proteção esmaltada dos dentes não seja comprometida por um acessório inútil.
É importante lembrar que crianças costumam desgastar a escova mais rápido. Nesses casos, a substituição deve ocorrer antes dos três meses, assim que os primeiros sinais de deformação aparecerem nas pontas das cerdas.
O impacto na saúde pública
Investir em uma escova nova quatro vezes por ano é, na verdade, uma medida de economia doméstica. O custo de uma substituição preventiva é infinitamente menor do que tratamentos de canal ou cirurgias na gengiva.
O jornalismo de saúde cumpre seu papel ao alertar que a prevenção começa no banheiro de casa. A negligência com a higiene bucal reflete diretamente na carga do sistema de saúde, gerando gastos que poderiam ser evitados com um gesto simples.
Portanto, verifique hoje mesmo o estado da sua escova. Se você não lembra quando a comprou, provavelmente já passou da hora de descartá-la. Sua saúde sistêmica agradece o cuidado com os detalhes que parecem pequenos, mas são vitais.
