Uma tarde de caos climático atingiu o Paraná nesta terça-feira (17), deixando um rastro de destruição que inclui destelhamentos, quedas de muros e rodovias alagadas. O evento extremo reforça o alerta sobre a vulnerabilidade da infraestrutura urbana diante de fenômenos meteorológicos cada vez mais intensos.
Em Campina Grande do Sul, a força do vento foi suficiente para arrancar o telhado de um barracão inteiro. O impacto atingiu veículos estacionados, mas, por sorte, não houve registro de feridos. O volume de água impressiona pela velocidade com que caiu.
Dados da estação hidrológica local apontam que choveu 55,4 milímetros em apenas 15 minutos. Esse volume representa quase 20% de toda a chuva esperada para o mês. É um cenário onde o escoamento urbano simplesmente não consegue dar conta da demanda.
O novo alerta da Defesa Civil
Um ponto que merece atenção especial nesta ocorrência foi o uso da tecnologia cell broadcast. Segundo a Defesa Civil, esta foi a primeira vez que as cidades de Londrina e Campina Grande do Sul receberam o alerta de emergência diretamente nos celulares.
O sistema dispara mensagens sonoras e visuais para aparelhos em áreas de risco, sem que o cidadão precise de cadastro prévio. É um avanço necessário, pois o aviso prévio pode ser a diferença entre salvar a vida ou ser pego de surpresa por rajadas de vento e granizo.
Em Londrina, no norte do estado, a situação foi crítica na região leste. Pelo menos 10 casas foram destelhadas e 18 árvores vieram ao chão. O impacto na rede elétrica foi imediato, deixando mais de mil imóveis no escuro, conforme dados da Copel.
Infraestrutura sob pressão constante
O cenário relatado por moradores é de desolação. Em um dos casos, um casal ficou preso por quatro horas dentro de casa após uma árvore cair sobre o portão. Em outros pontos, a água invadiu residências, destruindo móveis e a história de famílias inteiras.
As rodovias também sentiram o golpe. A BR-116, principal ligação entre Curitiba e o interior, registrou pontos de alagamento perigosos. A concessionária Arteris Régis Bittencourt precisou intensificar o monitoramento para garantir a segurança dos motoristas que trafegavam sob chuva intensa.
O que vemos aqui não é apenas um “azar” climático. É um aviso de que nossas cidades precisam de planos de contingência mais robustos. Quando 20% da chuva do mês cai em 15 minutos, qualquer falha na manutenção de bueiros ou podas de árvores vira uma catástrofe.
Ventos ultrapassam os 100 km/h
As medições oficiais confirmam a violência do temporal. Em Joaquim Távora, o Inmet registrou rajadas impressionantes de 104 km/h. Em Paranaguá, no litoral, os ventos chegaram a 72 km/h, mostrando que a instabilidade varreu o estado de ponta a ponta.
A Defesa Civil segue nas ruas distribuindo lonas e avaliando os danos estruturais. O momento é de análise técnica sobre como melhorar a resposta imediata. O uso do alerta via celular é um passo gigante, mas a infraestrutura física ainda precisa acompanhar a tecnologia.
O paranaense agora lida com o prejuízo material. Mas o debate que fica é sobre a urgência de adaptação das cidades para esses novos padrões climáticos. Não se trata mais de se vai chover forte, mas de quando será a próxima vez e se estaremos prontos.
A previsão indica que a instabilidade pode continuar em algumas regiões. Por isso, a orientação dos órgãos de segurança é manter a atenção redobrada aos avisos oficiais. O clima mudou, e a nossa forma de encarar a prevenção também precisa mudar urgentemente.
