O atacante Kylian Mbappé quebrou o silêncio após a vitória do Real Madrid contra o Benfica pela Champions League. O francês detalhou um episódio grave de racismo envolvendo o brasileiro Vinicius Júnior.
Segundo o relato oficial publicado pelo site do Real Madrid, o camisa 9 ouviu insultos criminosos vindos de um adversário. O caso aconteceu logo após o gol marcado pelo brasileiro, que celebrou com sua tradicional dança.
O relato do crime em campo
Mbappé foi direto ao apontar o culpado, embora tenha evitado citar o nome do atleta, identificado como o número 25 do Benfica. O francês afirmou que o jogador levantou a camisa e chamou Vini Jr de macaco cinco vezes.
O atacante destacou que não estava sozinho e que outros atletas do clube português também ouviram as ofensas. Para o francês, a situação é inaceitável e fere os valores básicos do esporte e da sociedade.
Mas o que chama atenção é a postura de liderança de Mbappé. Ele não apenas ouviu, como se tornou a voz ativa na denúncia imediata de um crime que o futebol insiste em não erradicar.
Reação de Mourinho e solidariedade
O técnico José Mourinho também foi citado no episódio. Segundo o atacante, o treinador português tentou entender a confusão e demonstrou apoio total contra qualquer tipo de discriminação em campo.
Mbappé elogiou a postura de Mourinho, reforçando que o treinador possui valores que não permitem que tais atos passem impunes. A união no vestiário do Real Madrid parece mais forte do que nunca diante desses ataques.
Então, fica claro que o time não pretende deixar o brasileiro sozinho. O francês revelou que Vini Jr pensou em abandonar a partida, mas foi amparado pelos companheiros para seguir em frente.
A falácia da provocação
Um ponto crucial da fala de Mbappé toca na ferida do debate público: a tentativa de culpar a vítima. Muitos críticos afirmam que o comportamento de Vinicius Júnior atrai esse tipo de reação.
O craque francês rebateu essa lógica com firmeza. Ele admitiu que o brasileiro pode ter seus momentos de provocação esportiva, mas ressaltou que nada justifica o racismo ou o tratamento desumano.
É um erro perigoso confundir o jogo psicológico do futebol com crimes de ódio. O racismo não é uma resposta a uma dança ou a um drible; é uma patologia social que precisa de punição severa.
Exigência de punição máxima
Para o redator deste jornal, a posição de Mbappé é a única possível. Ele defende que o jogador do Benfica não merece mais disputar a Champions League, a maior competição de clubes do mundo.
Com as melhores câmeras do planeta transmitindo os jogos, a UEFA tem todas as ferramentas para agir. Não há mais espaço para notas de repúdio vazias ou multas simbólicas que não mudam o cenário.
Se o futebol quer mesmo ser um exemplo para as crianças, como citou o atacante, precisa banir quem usa o campo como palanque para o preconceito. O jogo no Bernabéu na próxima quarta-feira será o palco da resposta.
Esperamos que as autoridades do esporte tenham a mesma coragem que Mbappé teve ao denunciar o colega de profissão. O silêncio, nesse caso, é o mesmo que a cumplicidade com o crime.
