O cenário dos relacionamentos no Brasil apresenta mudanças significativas de acordo com os dados mais recentes das Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo IBGE. Embora o país tenha registrado uma queda geral de 2,8% no número de divórcios em 2024, totalizando cerca de 428 mil processos, algumas regiões seguem o caminho oposto. O estado de Rondônia desponta no topo da lista com a maior taxa de separações, registrando aproximadamente 4,9 divórcios para cada mil habitantes com 20 anos ou mais. Logo atrás aparece o Distrito Federal, com uma taxa de 3,8, consolidando-se como um dos locais onde os casamentos mais chegam ao fim oficialmente.

Fatores que explicam o comportamento regional

Especialistas do IBGE e sociólogos apontam que a alta taxa em Rondônia pode estar ligada ao perfil migratório da região. O estado possui uma população formada por diversas ondas de imigrantes internos, o que pode resultar em vínculos familiares tradicionais menos enraizados quando comparados a estados com populações mais estáticas. Além disso, o Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e São Paulo também figuram entre os índices mais elevados. No caso paulista, a taxa de 3,5 reflete a dinâmica de uma metrópole onde o acesso aos serviços jurídicos e a independência financeira costumam ser maiores.

A duração dos casamentos está diminuindo

Um dado que chama a atenção na análise do IBGE é o tempo médio de duração das uniões. Se em 2010 os casais brasileiros permaneciam juntos por cerca de 16 anos antes de oficializar a separação, esse número caiu para 13,8 anos em 2024. É indicado observar que essa redução no tempo de convivência pode estar relacionada à facilitação dos processos legais, como o divórcio extrajudicial realizado em cartórios, e a uma menor tolerância a relações disfuncionais. A idade média no momento da separação gira em torno de 44 anos para homens e 41 anos para mulheres.

Guarda compartilhada se torna a regra

A pesquisa também revelou um marco histórico no direito de família brasileiro. Pela primeira vez, o número de divórcios judiciais com guarda compartilhada superou os casos em que a guarda fica exclusivamente com a mãe. Esse movimento é impulsionado pela legislação vigente que prioriza o convívio equilibrado dos filhos com ambos os genitores. Em estados como o Rio de Janeiro, essa tendência acompanha a média nacional, mostrando que, apesar do fim do vínculo conjugal, a responsabilidade parental tem buscado novos formatos de equilíbrio.

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