O ambiente digital brasileiro enfrenta uma nova e perigosa onda de criminalidade que utiliza recursos de privacidade para fins ilícitos. O chamado golpe da visualização única no WhatsApp tem se espalhado rapidamente, transformando uma ferramenta útil em uma armadilha de extorsão e terror psicológico. De acordo com dados da Febraban, os golpes aplicados via aplicativo de mensagens lideram o ranking de fraudes no país, com mais de 153 milhões de registros apenas no último ano.
Como funciona a armadilha digital
A abordagem dos criminosos é calculada para gerar choque imediato. Tudo começa com o envio de uma imagem ou vídeo configurado para visualização única por um número desconhecido. Ao abrir o arquivo por curiosidade, a vítima se depara com conteúdos perturbadores ou ilegais. O problema real surge minutos depois, quando o golpista entra em contato fingindo ser um delegado, advogado ou até membro de facções criminosas.
O criminoso afirma que a visualização daquela imagem gerou uma prova de crime e que a pessoa agora é alvo de uma investigação ou retaliação. Utilizando um tom agressivo e urgente, ele exige transferências via Pix para supostamente encerrar o caso ou não expor o nome da vítima publicamente. É um cenário de phishing com extorsão que paralisa pelo medo, mesmo quando a pessoa é totalmente inocente.
A proteção baseada em dados e segurança
Especialistas em segurança cibernética e autoridades policiais reforçam que instituições oficiais jamais realizam cobranças ou notificações judiciais via WhatsApp. É indicado que o usuário nunca abra arquivos de mídia de procedência desconhecida, especialmente aqueles que desaparecem após a leitura. Essa função é usada pelos bandidos justamente para dificultar a coleta de provas e a perícia digital posterior.
Ajustar as configurações de privacidade pode ajudar a reduzir o alcance desses criminosos. Ocultar a foto de perfil para quem não é contato e desativar a confirmação de leitura são medidas que auxiliam na preservação da segurança. Caso receba esse tipo de ameaça, o caminho correto é o bloqueio imediato e a denúncia do perfil dentro da plataforma, sem jamais realizar qualquer pagamento ou fornecer dados pessoais sob pressão.
