Parece que o brasileiro resolveu dar um tempo no copo gelado e a culpa não é apenas do bolso. Segundo dados recentes divulgados pela diretoria da Ambev, o consumo de cerveja no país enfrentou uma queda de 4,5% em 2025. Se você sentiu que as reuniões de amigos ficaram um pouco mais “secas”, saiba que não foi impressão sua. De acordo com especialistas do setor, uma combinação de fatores climáticos e mudanças de hábito está redesenhando o mercado de bebidas.
Conforme explicou o CFO da companhia, Guilherme Fleury Parolari, o fenômeno La Niña trouxe um inverno muito mais rigoroso e extenso do que o esperado. É aquele velho ditado: quando o frio aperta, a vontade de tomar uma gelada costuma diminuir. Relatos do setor indicam que essa foi a primeira vez que o impacto climático teve uma dimensão tão expressiva nas planilhas das gigantes do setor, mostrando que até o nosso lazer depende das previsões do tempo.
Mas não é só o clima que está mudando. Há um movimento silencioso acontecendo nas mesas de bar. Segundo a pesquisa Voice of the Consumer Health and Nutrition Survey 2025, da Euromonitor, mais da metade dos brasileiros afirma que está tentando diminuir ou até parar de beber. Esse comportamento sugere uma busca maior por equilíbrio, o que explica por que, mesmo com a queda nas vendas gerais, um setor específico não para de crescer.
O avanço das opções sem álcool e o mercado premium
Se por um lado a cerveja tradicional perdeu espaço, por outro, as versões sem álcool estão vivendo seu momento de glória. De acordo com o balanço da Ambev, essa categoria saltou impressionantes 30%. É indicado observar que o consumidor moderno parece estar mais atento ao bem-estar, optando por versões que permitem a socialização sem os efeitos do álcool no dia seguinte. Especialistas apontam que essa tendência não é passageira e deve ditar o ritmo das prateleiras nos próximos anos.
Além disso, o segmento premium também resistiu bravamente, com um crescimento de 17%. Isso indica que, quando o brasileiro decide beber, ele está preferindo investir em qualidade do que em quantidade. É aquela história: bebe-se menos, mas bebe-se melhor. Essa estratégia de focar em produtos mais sofisticados tem ajudado as empresas a manterem a receita estável, mesmo quando o volume total de garrafas vendidas cai.
Curiosamente, esse fenômeno não é exclusividade nossa. Segundo tabloides internacionais, a Alemanha, terra da Oktoberfest, registrou uma queda recorde de 6% nas vendas, o pior resultado em décadas. Até a Heineken, uma das maiores do mundo, precisou ajustar suas velas e anunciou cortes para enfrentar a maré baixa no consumo global. O cenário mostra que o mundo inteiro está repensando sua relação com o álcool.
Expectativas para o futuro e a volta dos grandes eventos
Apesar dos números desafiadores de 2025, o clima entre os executivos é de otimismo para o que vem pela frente. Conforme destacou o CEO Carlos Lisboa, a agenda de 2026 está recheada de motivos para celebrar. Com o Carnaval a todo vapor e a proximidade de uma Copa do Mundo com fusos horários favoráveis, a expectativa é que o brasileiro reencontre o caminho do bar com mais frequência.
Outro ponto interessante levantado por analistas é a importância das marcas tradicionais, chamadas de “core”. Como grande parte da população ainda depende do salário mínimo, as cervejas mais acessíveis continuam sendo o pilar do mercado. Elas garantem que a celebração seja democrática. É comum notar que a preferência por marcas como Brahma, Antarctica ou Skol varia muito de região para região, mostrando a força da cultura local.
Para quem acompanha o mercado, o recado é claro: o setor de bebidas está se transformando. Seja por conta do frio intenso ou por uma escolha consciente de vida, o modo como consumimos está evoluindo. É indicado que as empresas continuem inovando em opções mais leves e sofisticadas para atender a esse novo público que, embora mais moderado, não abre mão de um bom brinde quando a ocasião pede.
