O uso prolongado de aparelhos eletrônicos durante a noite tornou-se um hábito comum entre brasileiros de todas as idades. Seja para o trabalho, estudos ou lazer, a presença constante de celulares, computadores e televisores nas horas que antecedem o descanso tem acendido um alerta entre especialistas em saúde visual, neurologia e medicina do sono. Nossa equipe apurou que essa exposição excessiva está diretamente ligada a mudanças negativas na rotina e na qualidade de vida.
Especialistas explicam que o corpo humano possui um relógio biológico regulado pela luz. Quando utilizamos dispositivos iluminados após o pôr do sol, a claridade artificial intensa acaba confundindo o cérebro. Esse processo atrasa a desaceleração natural do organismo, prejudicando o ciclo de sono e resultando em cansaço persistente e falta de disposição durante o dia.
O impacto direto na qualidade do sono
A principal preocupação dos médicos reside na luz azul emitida pelas telas. Essa iluminação reduz e atrasa a produção de melatonina, que é o hormônio responsável por preparar o corpo para dormir. Com a exposição prolongada, o cérebro interpreta que ainda é dia, o que dificulta o início do sono e impede que a pessoa alcance os estágios profundos de descanso, essenciais para a recuperação física e mental.
Dados de estudos recentes, como o publicado pela JAMA Network Open, indicam que o uso de telas antes de dormir pode aumentar em 33% o risco de um sono de má qualidade. Além disso, estima-se uma redução de quase uma hora no tempo total de sono por semana. Entre os sintomas mais relatados estão a demora para adormecer, despertares frequentes durante a noite e uma forte irritabilidade ao acordar.
Problemas físicos e fadiga visual
Além dos distúrbios do sono, o uso noturno de dispositivos traz consequências físicas imediatas. Oftalmologistas registram um aumento significativo em queixas de fadiga visual digital. Os sintomas incluem olhos secos, ardência, visão embaçada e dores de cabeça constantes. Isso ocorre porque, ao fixar a tela, as pessoas tendem a piscar menos, o que prejudica a lubrificação ocular.
A postura também é um ponto de atenção. O hábito de usar o celular ou notebook na cama, muitas vezes em posições inadequadas, provoca dores na coluna cervical, nos ombros e na região lombar. Essa combinação de tensão muscular e noites mal dormidas eleva o risco de ansiedade e interfere diretamente na produtividade diária.
Como proteger o organismo e melhorar o descanso
Para minimizar esses impactos, o Portal Catanduvas em Foco reuniu recomendações de especialistas para uma melhor higiene do sono. A orientação principal é estabelecer um horário de desligamento, interrompendo o uso de eletrônicos entre 60 a 120 minutos antes de deitar. Substituir o celular por uma leitura em papel ou técnicas de meditação pode ajudar o cérebro a entender que o dia chegou ao fim.
Outras medidas eficazes incluem a ativação de filtros de luz azul nos aparelhos, a redução do brilho da tela e a manutenção do quarto totalmente escuro e silencioso. Para quem trabalha com computadores, a recomendação é fazer pausas a cada 50 minutos para alongar o corpo e descansar a vista. Caso sintomas como exaustão extrema e irritação persistam, a orientação é buscar ajuda médica especializada.
