O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo, nesta segunda-feira (09). Durante o evento, o chefe do Executivo brasileiro comentou sobre a futura relação diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma fala que misturou política externa e humor, Lula mencionou o cangaceiro Lampião para ilustrar como pretende se posicionar diante do líder norte-americano.
Nossa equipe apurou que o presidente brasileiro sugeriu que Trump não deveria “provocar” o Brasil. Segundo Lula, se o republicano conhecesse o seu suposto parentesco com a figura histórica do Nordeste, teria mais cautela. “Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, declarou o petista durante o discurso.
Apesar da comparação com o cangaceiro, Lula buscou aliviar o tom logo em seguida, indicando que não busca conflitos diretos com a Casa Branca. Em tom descontraído, ele afirmou que não é “doido” de querer briga, mas questionou, entre risos da plateia, o que faria caso uma disputa ocorresse e ele saísse vencedor.
Defesa do Multilateralismo e Relações Internacionais
Além das brincadeiras, o discurso no Instituto Butantan serviu para reforçar a posição do governo brasileiro no cenário global. O Portal Catanduvas em Foco acompanhou a fala em que o presidente destacou a importância do multilateralismo. Para Lula, o mundo precisa de um modelo onde vários países decidam juntos, evitando que apenas as nações mais fortes imponham suas vontades sobre as menores.
O presidente defendeu que esse sistema de governança internacional foi o que garantiu a harmonia entre os Estados após a Segunda Guerra Mundial. Ele criticou a teoria de que o mais forte pode tudo, afirmando que esse tipo de comportamento unilateral não interessa ao Brasil e prejudica a paz global.
Viagem aos Estados Unidos e Pauta de Segurança
Está confirmada uma viagem oficial de Lula aos Estados Unidos no mês de março. O encontro entre os dois presidentes foi definido após uma conversa por telefone realizada no final de janeiro. A pauta da reunião deve focar em temas práticos e de cooperação mútua entre as duas potências das Américas.
Entre os assuntos principais estão a segurança pública e o combate ao crime organizado. O governo brasileiro pretende propor medidas rígidas contra a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Outro ponto importante é o compartilhamento de dados financeiros e o congelamento de bens de facções criminosas. Informações preliminares indicam que o governo dos Estados Unidos demonstrou interesse nessas propostas.
Conselho da Paz e Reforma da ONU
Durante a visita em março, Lula também deve retomar uma cobrança antiga: a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro defende que o órgão precisa de mudanças para representar melhor o mundo atual, uma bandeira que ele carrega desde seu primeiro mandato em 2003.
Outro tema delicado é o convite de Trump para que o Brasil faça parte do chamado Conselho da Paz. Até o momento, o Brasil impôs condições para aceitar o convite, como o foco na crise em Gaza e a presença de representantes da Palestina. Diplomatas brasileiros expressam preocupação de que esse novo conselho dê poder demais aos Estados Unidos e acabe enfraquecendo a própria ONU.
