Os brasileiros devem se preparar para um peso maior no orçamento doméstico no próximo ano. Segundo um levantamento realizado pela consultoria Thymos Energia, as tarifas de energia elétrica no Brasil devem registrar um aumento médio de 7,64% em 2026. O índice preocupa especialistas e consumidores, uma vez que representa quase o dobro da inflação oficial projetada para o período, estimada em 3,97% pelo Boletim Focus do Banco Central.
Na prática, o aumento real significa que a eletricidade subirá muito acima da maioria dos outros produtos e serviços do dia a dia. Mesmo com o cenário econômico indicando uma inflação sob controle, o setor elétrico segue uma trajetória de alta impulsionada por questões estruturais e operacionais que acabam sendo repassadas diretamente para a fatura mensal.
Estados com maiores altas podem superar 10%
Embora a média nacional seja alta, a situação é ainda mais crítica em determinadas regiões do país. O estudo aponta que algumas distribuidoras devem aplicar reajustes que chegam a ser o triplo da inflação esperada. Entre os estados que devem sentir os maiores impactos estão Pernambuco, São Paulo e Ceará.
Os maiores aumentos projetados são:
- Neoenergia Pernambuco: 13,12%
- CPFL Paulista (SP): 12,50%
- Enel Ceará: 10,66%
De acordo com a apuração, esses saltos expressivos nas contas de luz estão ligados ao aumento nos custos de geração e ao elevado índice de perdas técnicas e comerciais, como furtos de energia e ligações clandestinas, conhecidas popularmente como “gatos”. Esses prejuízos financeiros das concessionárias são divididos entre os consumidores que pagam suas contas regularmente.
Desperdício de energia renovável agrava o cenário
Outro fator que contribui para a pressão nos preços é o chamado curtailment, que consiste no corte forçado da geração de energias renováveis. Em 2025, o Brasil bateu recordes de desperdício: cerca de 24,3% da energia solar e 18,7% da energia eólica produzidas foram descartadas porque o sistema nacional não conseguiu absorver toda a produção.
A projeção para 2026 indica que esse cenário pode piorar levemente. Quando a energia limpa e barata é desperdiçada, o equilíbrio financeiro do setor é afetado, gerando custos adicionais que, invariavelmente, chegam ao bolso do cidadão comum. Além disso, os encargos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia subsídios, continuam em ascensão.
Poucas regiões devem registrar queda
Apesar da tendência de alta na maior parte do Brasil, o levantamento da Thymos Energia identificou algumas exceções pontuais onde a tarifa pode cair. No entanto, os especialistas alertam que essas reduções são pequenas e podem não representar um alívio duradouro diante da instabilidade do setor.
As quedas previstas incluem:
- Neoenergia Brasília: -3,73%
- Amazonas Energia: -1,72%
- Equatorial Piauí: -0,83%
Nossa equipe acompanha o desenrolar dessas projeções, que reforçam a necessidade de atenção dos consumidores ao consumo consciente. O Portal Catanduvas em Foco ressalta que, além do reajuste das distribuidoras, o valor final da conta também depende das bandeiras tarifárias, que variam de acordo com o nível dos reservatórios das hidrelétricas ao longo do ano.
