Trabalhar em uma cafeteria pode deixar você mais produtivo e criativo, e existe uma explicação para isso

Tem dia em que trabalhar em casa simplesmente não rende.

Você abre o computador, tenta começar uma tarefa e, cinco minutos depois, lembra da louça, levanta para pegar alguma coisa, olha o celular, resolve outra pendência e quando percebe já perdeu completamente o ritmo.

É justamente aí que uma cafeteria pode fazer mais diferença do que parece.

O movimento ao redor, o barulho das conversas, o som da máquina de café e até a presença de desconhecidos trabalhando podem criar um ambiente interessante para quem precisa sair da rotina e voltar a produzir.

Não é apenas desculpa para tomar café fora de casa. Há pesquisas indicando que determinados níveis de ruído ambiente e a mudança de cenário podem favorecer tarefas que envolvem criatividade, enquanto o próprio ambiente cria uma espécie de estrutura para o período de trabalho.
Interior de cafeteria com ambiente preparado para trabalhar e estudar
Ambiente interno de cafeteria. Crédito: Canva

Por que tanta gente sente que produz melhor em uma cafeteria?

Existem pessoas que precisam de silêncio absoluto para trabalhar. Outras parecem travar completamente quando estão sozinhas em um ambiente silencioso demais.

A cafeteria ocupa um espaço curioso entre esses dois extremos.

Existe barulho, mas ele normalmente não exige sua atenção. Há pessoas ao redor, mas elas não ficam perguntando sobre seu trabalho. Você não está sozinho, mas também não precisa conversar com ninguém.

1 Ruído de fundo Conversas, música baixa e sons do ambiente criam um nível constante de estímulo.
2 Mudança de cenário Sair do ambiente habitual pode quebrar a sensação de rotina.
3 Pessoas trabalhando Ver outras pessoas concentradas pode ajudar você a entrar no mesmo ritmo.
4 Tempo limitado Você sabe que não vai ficar ali para sempre, o que pode aumentar a sensação de urgência.

O barulho da cafeteria pode ser justamente o que faltava

Talvez esse seja o ponto mais curioso.

Quando queremos nos concentrar, a primeira ideia costuma ser procurar silêncio. Só que silêncio absoluto nem sempre é o melhor cenário para trabalhos criativos.

Uma pesquisa bastante conhecida sobre ruído ambiente identificou resultados interessantes quando participantes realizaram tarefas criativas com diferentes níveis de som ao redor.

O nível moderado, próximo daquele encontrado em uma cafeteria movimentada, ficou em uma faixa interessante para tarefas que exigiam pensamento mais abstrato.

Cerca de 70 dB

É uma referência frequentemente associada ao nível de ruído de uma cafeteria movimentada e apareceu em estudos sobre ambiente e criatividade.

Muito silencioso Moderado Muito barulhento

Isso não significa que exatamente 70 decibéis transformem alguém em uma máquina de ideias.

O ponto é outro: um pouco de distração ambiental pode fazer o cérebro trabalhar de maneira diferente, especialmente quando a tarefa exige associações, criação ou novas soluções.

Mas existe limite. Se o lugar estiver barulhento demais, com música alta, pessoas gritando ou interrupções constantes, aquilo que poderia ajudar passa facilmente a atrapalhar.

Mudar de lugar também pode mudar a maneira de pensar

Imagine passar todos os dias sentado exatamente na mesma cadeira, diante da mesma parede, olhando para os mesmos objetos.

Depois de algum tempo, tudo fica automático.

Quando você leva o notebook para outro ambiente, o cérebro recebe informações diferentes. Mudam a iluminação, os sons, as pessoas, os cheiros e aquilo que acontece no seu campo de visão.

Essa novidade pode ajudar principalmente quando você está travado em um trabalho criativo.

Cafeteria com mesas e ambiente interno usado para trabalho e estudo
Trocar o ambiente de trabalho pode ajudar a quebrar a rotina. Crédito: Canva

O efeito novidade não dura para sempre

Tem um detalhe importante aqui.

Se você transformar a mesma cafeteria em seu escritório de segunda a sexta, oito horas por dia, aquela novidade pode desaparecer.

Depois de algum tempo, o lugar também passa a fazer parte da rotina.

Por isso, quem percebe que trabalha melhor dessa maneira pode alternar entre casa, escritório, biblioteca e diferentes cafeterias.

Não é necessário passar a vida pulando de estabelecimento em estabelecimento. Às vezes, uma tarde fora do lugar habitual já é suficiente para quebrar um bloqueio.

Ver outras pessoas produzindo também influencia

Existe uma situação muito comum em cafeterias: você olha para o lado e encontra alguém lendo, outra pessoa estudando e mais alguém completamente concentrado no notebook.

Mesmo sem conversar com nenhuma delas, aquela atmosfera pode ajudar.

É quase como treinar em uma academia. Quando todo mundo ao redor está fazendo alguma coisa, ficar completamente parado começa a parecer estranho.

O ambiente cria um pequeno empurrão psicológico para começar.

É diferente de trabalhar ao lado dos colegas

Trabalhando em casa Você tem liberdade total, mas também acesso imediato ao sofá, televisão, tarefas domésticas, geladeira e outras distrações.
Trabalhando em uma cafeteria Existem pessoas por perto, mas como são desconhecidas, normalmente ninguém interrompe seu raciocínio para contar alguma coisa ou fazer uma pergunta.

Para algumas pessoas, isso cria um equilíbrio interessante entre isolamento e convivência.

Você sente que existe vida acontecendo ao redor sem precisar participar dela o tempo todo.

Existe ainda uma coisa poderosa: você sabe que precisa terminar

Em casa, principalmente para quem tem horários flexíveis, uma tarefa pode facilmente se espalhar pelo dia inteiro.

“Depois eu termino.”

Na cafeteria, existe um limite natural.

O estacionamento vence. A bateria do notebook diminui. O estabelecimento começa a encher. Chega o horário de fechar. Ou você percebe que já tomou café suficiente por um dia.

Esse limite pode criar uma sensação de prazo que não existiria dentro de casa.

É parecido com colocar um cronômetro na tarefa. Quando você sabe que tem duas horas para terminar alguma coisa, existe menos espaço para transformar 20 minutos de trabalho em uma tarde inteira.

Isso funciona para qualquer tipo de trabalho?

Não necessariamente.

Uma cafeteria pode ser interessante para escrever, estudar, planejar, responder mensagens, organizar projetos ou fazer trabalhos que permitam algum ruído ao redor.

Já tarefas que exigem concentração extrema, leitura técnica muito pesada, reuniões confidenciais ou análise minuciosa podem funcionar melhor em ambientes silenciosos.

Uma cafeteria pode funcionar especialmente bem para:
  • escrever textos e artigos;
  • fazer brainstorming;
  • planejar projetos;
  • estudar assuntos menos complexos;
  • responder e-mails;
  • organizar tarefas;
  • trabalhar em projetos criativos;
  • sair de um bloqueio de produtividade.

E nem toda cafeteria é boa para trabalhar

Também não adianta pegar o notebook e entrar no primeiro lugar que aparecer.

Alguns ambientes funcionam muito melhor do que outros.

Uma cafeteria extremamente apertada, barulhenta e lotada pode provocar justamente o efeito contrário.

Se a ideia é trabalhar por algum tempo, vale observar se há mesas confortáveis, internet estável, iluminação adequada e um nível de movimento que não incomode.

Bom senso também conta: uma cafeteria continua sendo um estabelecimento comercial. Se você pretende ocupar uma mesa por um período maior, consumir alguma coisa durante a permanência é uma maneira simples de respeitar o espaço.

Talvez o segredo nem esteja no café

O café pode ajudar quem gosta da bebida, claro, mas talvez ele nem seja o principal motivo de tanta gente conseguir produzir nesses lugares.

É a combinação.

Um pouco de barulho. Pessoas ao redor. Um ambiente diferente. Um período limitado para terminar aquilo que precisa ser feito.

Para quem está há horas olhando para a mesma tela dentro de casa sem conseguir avançar, trocar a escrivaninha por uma mesa de cafeteria pode ser uma experiência simples de testar.

Às vezes, aquilo que falta para uma ideia aparecer não é mais silêncio. É justamente um pouco de vida acontecendo ao redor.