EUA chegam a 1 milhão de casos do novo coronavírus

Os casos de contaminados pelo novo coronavírus chegaram a um milhão nos Estados Unidos nesta terça-feira, duplicando em 18 dias, segundo levantamento da Reuters e da Universidade Johns Hopkins.  Estima-se que o número real de casos seja ainda maior, e autoridades estaduais de saúde pública alertam que a escassez de profissionais treinados e de equipamentos têm limitado a capacidade de testagem. Mais de 56 mil pessoas já morreram no país.

Cerca de 30% dos casos se se concentram no estado de Nova York, epicentro da epidemia nos EUA, seguido por Nova Jersey,  Massachusetts, Califórnia e Pensilvânia. No mundo todo, os casos confirmados já superam os 3 milhões desde o início do surto na China, no final do ano passado.

A marca do milhão de casos foi alcançada quando vários estados americanos estão retomando ou planejam retomar as atividades econômicas, incluindo Geórgia, Ohio e Texas.  O presidente Donald Trump tem oscilado entre defender o isolamento social e a retomada econômica, diante da perspectiva de perder sua principal bandeira na eleição presidencial de novembro, quando disputará a reeleição. O choque econômico provocado pela pandemia já levou à perda de 26 milhões de empregos no país.

Os Estados Unidos, com a terceira maior população do mundo, têm cinco vezes mais casos que Itália, Espanha e França, países europeus com os maiores registros da doença. Dos 20 principais países mais afetados, os EUA ocupam o quinto lugar com base em casos per capita, segundo um relatório da Reuters. São cerca de 30 casos a cada 10 mil pessoas.

De  acordo com uma análise da Universidade de Washington, frequentemente citada por funcionários da Casa Branca e autoridades de saúde pública, o número de mortes pelo surto  pode chegar a mais de 74 mil até agosto — um total acima dos 67 mil previstos há uma semana e dos 60 mil previstos há duas semanas.

Mesmo assim,Trump defendeu as manifestações contra as medidas de isolamento social  para conter a propagação da doença.  Várias cidades registraram protestos no sábado e no domingo, em geral reunindo algumas centenas de participantes pedindo o fim da quarentena e a reabertura de lojas e do comércio.

Além do fim do confinamento, entre as pautas dos protestos houve reivindicações comuns à direita, como a redução do controle de posse de armas no país. Símbolos nazistas e cartazes comparando alguns governadores ao ditador nazista  Adolf Hitler também aparecerem em meio aos manifestantes — o que foi minimizado por Trump na coletiva.

Na segunda-feira, o prefeito Bill de Blasio anunciou que a cidade de Nova York fechará algumas ruas ao tráfego de veículos, expandirá calçadas e criará ciclovias temporárias para oferecer aos nova-iorquinos mais espaço ao ar livre enquanto as medidas de confinamento continuam.

 No próximo mês, criaremos ao menos 64 km de ruas abertas. E, como a crise continua, o objetivo é chegar a 160 quilômetros— disse De Blasio.

Trump também vem sendo amplamente criticado por sua postura errática nas aparições ao vivo, que vinha usando abertamente como um palanque eleitoral mirando o pleito de novembro. A gota d’água ocorreu na quinta-feira, quando o presidente sugeriu que “injeções de desinfetantes” e raios ultravioleta poderiam ser eficazes no combate à Covid-19. A Casa Branca chegou a cogitar suspender os briefings diários, mas voltou atrás.

O segundo país com maior registro de casos é a Espanha (229.422), seguida da Itália (200 mil). Ambas as nações europeias também são as que têm maior número de óbitos, atrás apenas dos Estados Unidos: a Espanha tem 23.521, e a Itália, 26.977. Tal como nos EUA e em boa parte do planeta, no entanto, estima-se que haja subnotificação dos casos e das mortes.

O GLOBO